Mais um
Prêmio Ignobel foi entregue semana passada. E eu confesso que ainda espero mais para saber nomes e pesquisas desses laureados do que o resultado do Oscar. Primeiro, porque é bem mais engraçado. Segundo, porque é mais realista (duro de acreditar, mas as pesquisas realmente são realizadas). E, neste 2008, o Brasil teve o que comemorar: finalmente temos cientistas premiados no Ignobel!
Vamos direto aos vencedores.
Paz
Venceu o Comitê Federal de Ética da Suíça sobre Biotecnologia Não-Humana pela aprovação, em abril passado, do princípio legal que define que as plantas têm dignidade.
Literatura
Sagrou-se campeão o britânico David Sims, da Cass Business School, de Londres, por seu estudo de título tão poético: You Bastard: A Narrative Exploration of the Experience of Indignation within Organizations (ou “Você, Bastardo: Uma Exploração Narrativa da Experiência da Indignação dentro das Organizações”). David precisa dar um tempo no café e tentar Maracujina.
Medicina
O americano Dan Ariely ganhou este por demonstrar que remédios falsos, porém caros, funcionam melhor que remédios falsos, porém baratos. Ele publicou seu estudo no Journal of American Medical Association. E eu, de agora em diante, se for tomar remédios falsos, vou escolher só os bem caros.
Ciências CognitivasOs japoneses Toshiyuki Nakagaki, Hiroyasu Yamada, Ryo Kobayashi, Atsushi Tero e Akio Ishiguro e o húngaro Agota Toth venceram por demonstrar na revista Nature que o mofo mucilaginoso pode resolver quebra-cabeças. Não me perguntem... Perguntem ao mofo, oras.
Nutrição
Maximiliano Zampini, da Universidade de Trento, e Charles Spencer, da Universidade de Oxford, demonstraram, em um estudo publicado no Journal of Sensory Studies, que a comida é melhor se é crocante. Taí um grupo de pesquisas do qual eu queria fazer parte – no setor de batatas de saquinho, por favor.
Biologia
Marie-Christine Cadiergues, Christel Joubert e Michel Franc, da Escola de Veterinária de Toulouse (França), foram ganhadores desta categoria. Eles mostraram que as pulgas saltam mais sobre os cachorros do que sobre os gatos. Se eu fosse da Pixar, comprava o roteiro.
Química
A categoria teve que ser meiada por duas equipes. Curiosamente, as duas equipes discordam só um pouquinho. Sharee Umpierre, da Universidade de Porto Rico, e Joseph Hill, de Harvard, foram premiados por demonstrar que “a Coca Cola é um espermicida eficaz”. Entretanto, Chuang-Ye Hong, da Escola de Medicina de Taipei, e outros pesquisadores de Taiwan, receberam a outra metade do prêmio por mostrar que “a Coca-Cola não é um bom espermicida”. Eu nem quero saber os métodos de ambas as pesquisas.
Física
Parabéns aos norte-americanos Dorian Raymer e Douglas Smith, que por meio da Proceedings of the National Academy of Sciences provaram que um montão de cordas e cabelos acabam se embaraçando e formando nós. Eu sou prova cabal, pois jamais consigo tirar as cordas do meio das minhas madeixas. E acontece o mesmo com fios elétricos, espaguete e cadarços de tênis.
EconomiaGeoffrey Miller, Joshua Tyber e Brent Jordan, da Universidade do Novo México, Estados Unidos, venceram porque descobriram que os lucros de uma dançarina de striptease dependem de seu ciclo menstrual. A pesquisa foi publicada na Evolution and Human Behavior. E a dançarina, ao que parece, não cobrou cachê.
Arqueologia
Éééé... do Brasil! Astolfo Mello Araújo e José Carlos Marcelino, da gloriosa Universidade de São Paulo, trouxeram a taça para o nosso país. E numa área onde nem temos tradição! Pois os rapazes fizeram história ao concluir que um campo de pesquisas arqueológicas pode ser danificado pela ação de tatus vivos. Seu estudo chamou-se “O Papel dos Tatus no Movimento dos Materiais Arqueológicos: Uma Abordagem Experimental”. Ao saber da vitória, o Dr. Astolfo comentou: “Não existe prêmio Nobel para arqueologia, então o IgNobel é uma coisa boa”. Eu tô com o doutor – quem não tem cão, caça com tatus.
PS: Texto tirado do site www.garotasquedizemni.ig.com.br